Como construir uma reserva de emergência e proteger sua renda

Qualquer pessoa pode, de repente, ficar sem a renda habitual. Seja por doença, acidente, desemprego, fechamento da empresa em que é sócio, licença não remunerada ou até afastamento por motivos pessoais. A verdade é que ninguém está livre de enfrentar períodos sem rendimento do trabalho.

 

O impacto da perda de renda no orçamento

 

Quando isso acontece, a reação natural é cortar despesas e reduzir supérfluos para equilibrar o orçamento. Porém, alguns gastos demoram a diminuir e outros são praticamente impossíveis de cortar, como alimentação, transporte e moradia — ainda que se busquem alternativas de redução.

 

É justamente para esses momentos que serve a reserva de emergência: um valor guardado para anular ou minimizar os efeitos de imprevistos. Embora pareça óbvio, a maioria das famílias brasileiras não tem esse hábito. Em vez disso, priorizam gastos imediatos e deixam o futuro de lado.

 

Padrão de vida e renda: o desafio de poupar

 

Com o aumento da renda, é natural elevarmos o padrão de vida: lazer, moradia, carro e demais despesas acompanham o salário. Esse comportamento é ainda mais arriscado para quem depende de renda variável, como profissionais liberais, empresários ou vendedores, que podem passar períodos com pouca ou nenhuma entrada de dinheiro. Para eles, ter uma reserva é ainda mais crucial.

 

Já para quem é funcionário com carteira assinada, existem alguns benefícios que amenizam a falta de renda, como:

 

  • Seguro-desemprego;

  • FGTS, que funciona como uma reserva compulsória;

  • Auxílio-doença ou acidente de trabalho, pagos pelo INSS;

  • Seguros privados de perda de renda ou incapacidade temporária.

 

Apesar disso, nada substitui o hábito de guardar parte do que se ganha para investir em uma reserva própria.

 

Quanto guardar na reserva de emergência?

 

A recomendação é ter o equivalente a 3 a 6 meses de despesas mensais. Existem três formas comuns de calcular:

 

  1. Somar os gastos mensais e multiplicar por 6;

  2. Usar a renda mensal como base e multiplicar pelo período desejado;

  3. Definir um valor fixo para poupar por mês, multiplicado pela quantidade de meses (menos preciso, pois pode ignorar despesas reais).

 

Exemplo: uma família que gasta R$ 2.700,00 por mês (descontando R$ 300,00 reservados para investimentos) precisaria de R$ 16.200,00 para cobrir 6 meses. Se guardar apenas 10% da renda, levará 54 meses para atingir esse valor, sem considerar rendimentos.

 

Antes da reserva: ajuste de dívidas

 

Se a família gasta mais do que ganha, não há como formar reserva. O primeiro passo é organizar o orçamento. Além disso, quem tem empréstimos caros, como cheque especial ou cartão de crédito, deve priorizar quitar essas dívidas antes de começar a poupar.

 

Evite usar a reserva de forma errada

 

Quando a reserva começa a crescer, surge a tentação de gastá-la em desejos e objetivos, como carro, imóvel ou viagem. Essa é uma armadilha comum. É fundamental separar:

 

  • Investimentos para conquistas futuras;

  • Reserva de emergência, que deve ser usada apenas em situações de perda de renda ou imprevistos graves.

 

Uma dica é manter a reserva em uma conta ou aplicação separada dos demais investimentos.

 

Onde investir a reserva de emergência?

 

De nada adianta ter dinheiro guardado em casa ou parado na conta corrente. O ideal é aplicar em opções de baixo risco e alta liquidez, ou seja, que possam ser resgatadas rapidamente. Entre as alternativas estão:

 

  • Poupança;

  • CDBs de liquidez diária, muitas vezes com rentabilidade maior em bancos digitais ou médios.

 

O importante é que o dinheiro esteja seguro e disponível para saque imediato.

 

Reserva de emergência: tranquilidade financeira

 

Construir uma reserva de emergência é a melhor forma de evitar o endividamento e proteger seu patrimônio em momentos de crise. Quanto maior for a reserva, maior será a segurança da família. Se ainda não tem a sua, o essencial é começar — mesmo que seja com valores pequenos.

 

 

 

Fabio Nepomoceno – Contador e Consultor em Finanças

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